
Como é que eu aprendo mais rápido? Eu não paro.
Faz muito tempo que eu tento aprender mais rápido. Hoje eu aprendo com IA, aplicando o que aprendo direto nos meus negócios.
Tudo começa por uma pergunta que vem antes de qualquer estudo: você vai estudar antes de executar, ou executar antes de estudar?
Para mim, é nessa escolha que os adultos mais erram.
E nesta semana de Black Friday, um aviso: se você colocar em prática o que eu vou contar aqui, não vai precisar comprar o próximo curso. Nem os meus. Chego lá.
Na quarta à noite, eu comecei um banco de fotos minhas para as thumbs do YouTube. Eu sinceramente não sabia como montar tudo aquilo.
Pensei só: vou gravar um vídeo com várias poses e ver se a IA recorta cada pedaço.
A IA foi pegando os frames, recortando e separando por emoção. Quase mil fotos, e poucas neutras.
E eu só percebi isso porque já tinha feito.

Estudar antes ou executar antes? Como decidir pelo risco de ruína
Com as fotos, eu executei antes de estudar. Eu penso que você deve executar antes, a não ser que aquilo possa te causar algum dano irreversível.
Nada que te coloque no risco de ruína deve ser feito antes de ser estudado.
Risco de ruína é perder o seu dinheiro, a sua saúde, um relacionamento, todos os seus clientes.
Migrar todos os clientes para um CRM novo sem ter estudado nada pode ser ruína. Criar um CRM só para testar, não.
Quando eu ainda tinha uma Harley, ela ficou sem bateria na garagem.
Eu sabia onde ligar, mas tinha escutado um amigo contar que estragou a moto dele: encostou a chave de fenda na bateria e na parte de ferro, e queimou circuitos.
Ali tinha risco. Então, antes de mexer, pedi para o ChatGPT analisar vídeos do YouTube e me trazer um passo a passo.
A resposta foi passar fita isolante na chave de fenda inteira, menos na pontinha. Segui as dicas.

Toda vez que existir um risco, dá para perguntar para a IA antes de começar: existe algum risco de eu estragar alguma coisa se eu fizer isso?
No banco de fotos não tinha risco nenhum. O pior que podia acontecer era a IA recortar mal.
Então eu fiz.
Nesse caso, eu gravei primeiro e só depois pedi para a IA o que eu sempre peço quando vou criar algo novo: descobrir as melhores referências.
O estudo de verdade vem depois, sobre o que der errado.
Quando eu digo que não paro, é disso que eu falo. Eu me conheço: se eu coloco impedimento para executar, como ter que estudar tudo antes, eu acabo não fazendo.
Thumbs do YouTube com IA: o que eu só aprendi depois de gravar
A primeira coisa que deu errado foi o fundo.
Eu tinha gravado com a minha estante atrás, e a IA teve dificuldade para recortar, porque as cores se misturavam.
Mas eu não tinha fundo verde. Peguei um lençol, coloquei atrás de mim, apontei uma luz minha na cor verde e azul, e funcionou.

A segunda foi a contagem, aquela do começo: poucas fotos neutras. Eu não sabia se isso importava.
Eu sinceramente não sei quais thumbs funcionam. Sei que existe um padrão, porque tem gente que testa muito. Eu não conheço esse padrão.
Só que alguém conhece. E esse alguém possivelmente já colocou isso na internet.
Pedi para a IA uma pesquisa profunda sobre o padrão de fotos em thumbs vencedoras.
Na live eu ainda transformei essa pesquisa numa aula para mim, com uma skill chamada teach, para mostrar o processo.
A aula que a IA criou abriu com uma correção à minha própria pergunta. Ela dizia:
"Ninguém publicou essa resposta. O que existe é uma contagem do que aparece nas capas que venceram."
Eu estava procurando a foto que mais converte.
E a aula avisava para que serve saber essa diferença: para não gravar poses por causa de um número que só diz o que aparece nas capas, não o que converte.
Na contagem que ela mostrava, das capas que venceram, a expressão neutra era a que mais aparecia. Justo a que eu tinha pouco.
E o resultado da IA ainda me trouxe outra leitura: eu já tinha quase mil recortes, então o problema não era quantidade.
Sobravam sequências quase iguais, e faltavam nove poses.
Eu fui atrás da foto que mais converte e voltei com outra coisa: um retrato do que eu tinha de sobra e do que faltava.
Ainda antes da aula, quando a IA me disse o que faltava, eu tive uma ideia: destacar no sistema as poses que mais funcionam.
Quanto mais você avança, mais insight você tem e mais dúvidas aparecem.
O que mudou foi o plano: gravar as poses que faltam, não mais fotos.
Aprender errando: por que o erro ensina mais rápido que o acerto
Com o fundo da estante, deu para saber por que tinha dado errado: as cores estavam se misturando.
O erro é muito mais fácil de rastrear. Você consegue identificar o que levou a ele.
Quando você acerta, existem inúmeras variáveis que levaram ao acerto, e dificilmente você vai descobrir todas.
Se você acerta de primeira, não sabe quais erros evitou por sorte. Acertar a segunda, a terceira, a quarta vez depende de essas variáveis se alinharem de novo.
Por isso eu penso que a gente deveria cometer mais erros, de forma rápida, barata, e que seja sempre diferente, para que cada um ensine alguma coisa.
E guardar esses erros. Eles viram um histórico, e você nem precisa lembrar deles: a sua IA vai lembrar por você.
Meu filho não estudou como falar para aprender a falar. Não estudou como andar para aprender a andar.
Um estudo filmou bebês aprendendo a andar: quase 2.400 passos e 17 quedas por hora. Ninguém deu aula para eles.
No meu caso, eu alterno. Chamo isso de remar no aprendizado: prática, estudo, prática, estudo. Se você fica só executando, fica dando volta.
Se fica só estudando, também fica dando volta, porque quem te dá feedback é o mundo real, quando você executa.
Tem muita gente que faz vários cursos e não coloca nada em ação.
O estudo sozinho dá uma sensação de progresso: você termina a aula, marca como concluída, vai para a próxima. Quando chega no mundo real, ele é bem diferente.
Isso foi medido. Num estudo de 2006, quem releu o mesmo texto várias vezes se sentia mais confiante, e uma semana depois lembrava 40% dele.
Quem releu menos e treinou lembrar lembrava 61%.
Nada ensina tão bem quanto a dor de não conseguir.
Conhecimento demais trava: por que não estudar tudo antes de começar
Eu estudo para caramba.
O que eu evito é estudar tudo antes. Quanto mais conhecimento você tem sobre um assunto antes de começar, mais dúvida você tem, e mais você trava.
Conhecimento demais gera paralisia.
Pensa em qualquer projeto grande que você já fez. Se você tivesse visto de verdade todo o trabalho que ia dar, a chance de desistir seria muito alta.
Tudo é difícil, tudo é trabalhoso, tudo demora. A IA deixou muita coisa mais rápida, mas continua tendo desafio e complexidade.
Já falei isso numa outra live e repito: trabalho dá trabalho.
Eu já fiz parte de grupos de pessoas com altas habilidades, e o que eu via ali reforça a minha percepção: saber mais não garante avançar.
Muitas vezes, quem sabe menos continua fazendo, justamente porque não enxerga tudo o que pode dar errado.
E vejo algo parecido com quem durante muito tempo me criticou. Muitos estudaram machine learning, ciência da computação, fizeram pós-doutorado.
Sabem mais do que eu sobre como uma IA funciona. Com o pouco que eu tinha aprendido, eu fui lá e fiz.
Quanto estudar para aprender rápido: The First 20 Hours e o próximo passo
Uma das coisas que me fizeram pensar nisso foi um livro do Josh Kaufman.
O livro é The First 20 Hours (as primeiras 20 horas, em tradução livre), e a proposta é aprender o básico de uma habilidade em 20 horas ou menos. O básico.
Não virar especialista.
E quem disse que você precisa ser um especialista para criar coisas que só um especialista conseguiria criar? Na era da IA, o especialista é a própria IA.
Você precisa saber o suficiente para guiar esse especialista.
Eu estudo todos os dias. Normalmente 5 minutos, 10 minutos. Estudo o que eu preciso para dar o próximo passo, a próxima coisa que eu vou fazer.
Faz dois anos que eu não compro nem faço curso de outra pessoa.
Foi isso que eu quis dizer lá no começo: colocando em prática o estudo do próximo passo, você não vai precisar comprar nenhum curso, inclusive os meus.
Sei que é época de Black Friday, e que vai ter gente que vai me odiar por isso.
E mesmo se você comprar um curso, não vai precisar fazer ele inteiro.
Pode colocar o seu agente para pegar os exemplos daquele curso e montar uma aula para você naquele momento. Eu já fiz isso com cursos antigos que eu tinha comprado.
Se inscrever não é terminar. Nos cursos online de Harvard e do MIT, quase todos gratuitos, a taxa de conclusão continua baixa e não melhorou em seis anos.
Esse jeito de aprender não vale para tudo.
Se você quer entender profundamente fundamentos de filosofia, por exemplo, sim, você deve sentar e ficar horas estudando, lendo, refletindo.
O que eu estou trazendo aqui é o estudo para um fim: resolver um problema, criar um aplicativo, um jogo, ganhar mais dinheiro.
E esse fim muda muito rápido. Tudo muda do dia para a noite. Você pode estudar durante semanas algo que, daqui a duas semanas, alguém resolve com uma ferramenta nova.
Alguns amigos já me perguntaram: Alan, como é que tu consegue focar tanto? Eu respondo que eu sou um ignorante consciente.
De forma consciente, eu decido ignorar tudo aquilo que não vai me permitir dar o próximo passo.
Não tem como aprender tudo. Você não vai saber todos os modelos, todos os agentes, todas as skills.
Ignorar o resto de propósito é o jeito de manter uma saúde mental mínima nesse momento.
A minha IA sabe como eu aprendo. Ela sabe que eu sou analítico, que é natural para mim querer ir fundo no buraco do coelho e ficar vinte dias estudando um assunto só.
Então ela me protege: em vez de me dar tudo de uma vez, me dá só o que eu preciso saber.
Tem estudo mostrando que o jeito como a IA te ajuda muda o que você aprende.
Num experimento com cerca de mil alunos, quem estudou com o ChatGPT comum foi 17% pior na prova sem IA do que quem estudou sem IA.
Quem usou uma versão feita para ensinar, que não entrega a resposta pronta, quase não teve essa perda.
Como aprender com IA na prática: aulas sob medida, workflows e DAG
Depois que executo, eu faço algumas perguntas para a IA. O que poderia ser melhor? Quem já criou algo como isso? O que dá para aprender com quem criou?
Se você não sente dor, não significa que não tem nada para aprender. Significa que você não sabe onde está a sua dor.
Para responder, eu não faço a IA me ensinar a partir do conhecimento dela. A IA não tem memória como a gente pensa. Ela foi treinada com muito conteúdo, de todo mundo.
Eu não quero conteúdo de todo mundo. Peço para ela pesquisar quem tem pele em risco no assunto: gente que ganha dinheiro com aquilo, que explorou aquilo de verdade.
A partir disso, ela monta a aula para mim.
Se eu pudesse aprender uma coisa só na era da IA, seria fazer melhores perguntas. E você consegue fazer perguntas melhores à medida que aumenta o seu repertório.
A IA elevou o nível de todo mundo, e quem usa no mínimo fica igual a todo mundo, na mesma barra. O limite passa a ser o repertório de quem pede.
Na live, eu pedi uma aula ao vivo.
Escrevi para a IA criar uma aula, a partir de primeiros princípios, sobre o que é um segundo cérebro que evolui com quem usa, com qualquer modelo de IA.
E pedi que ela usasse o conteúdo dos meus cursos para deixar os exemplos ricos.
Enquanto eu explicava outras coisas, a aula ficou pronta. Ela foi criada naquele exato momento.
Para criar aulas assim eu uso um dos melhores modelos (na live foi o Opus), porque quanto melhor o modelo, melhor ele abstrai e melhores os exemplos.
E não precisa gastar muito. Eu tenho workflows em que, durante a pesquisa da aula, a IA usa modelos mais baratos, que só traduzem ou resumem.
O modelo melhor fica com a parte de criar.
Quando você entende o básico sobre workflows e DAGs, a ordem das etapas e quais rodam ao mesmo tempo, consegue fazer a IA trabalhar muito melhor.
Uma coisa que eu faço sempre que tenho dúvida se a IA consegue: não pergunto, mando fazer.
Foi assim quando quis que as IAs da minha equipe se conectassem ao banco de fotos, de qualquer lugar, para criar uma capa do YouTube com a melhor foto para o assunto.
O pior que pode acontecer quando você manda a IA fazer algo que não sabe se ela consegue é ela não fazer, ou fazer mal.
Não estou falando de pedir para ela construir o novo iFood. Mas aquilo que é técnico e que eu desconhecia, ela tem conseguido fazer.
Exercício: crie uma aula sob medida com a skill teach
Na live, eu pedi para cada pessoa escrever uma coisa que gostaria de aprender para executar. E deixei um exercício: criar uma aula adaptada para você, com a skill teach.
Faz na ordem que eu acabei de contar.
Escolhe uma coisa que você quer aprender para fazer. Se tiver risco de ruína, antes pergunta para a IA se dá para estragar alguma coisa.
Se não tiver, tenta fazer hoje, do jeito que der. Depois pede para a IA as melhores referências de quem já fez.
Onde travar, pede a aula da teach sobre aquele ponto, e só sobre ele. Esse é o estudo do próximo passo.
Se você costuma travar no estudar antes, testa essa ordem uma vez.
Materiais: Segundo Cérebro Vivo, skill teach e Do Vídeo ao Painel
Na live, eu prometi entregar alguns materiais. Estão todos nos links do final: a aula Segundo Cérebro Vivo, a skill teach e o artefato Como o Alan Aprende com IA.
E mais dois que apareceram na live: o passo a passo Do Vídeo ao Painel e as demos do meu swipe file.
Antes de comprar qualquer coisa nesta Black
Dia 12 de novembro, às 19:08, vou fazer um encontro especial ao vivo para mostrar o que preparamos para a nossa Black Friday.
Já adianto que o que vamos oferecer não é um curso.
Ao longo dos anos, a gente criou programas em que muita gente daqui não conseguiu entrar. A ideia agora é entregar esse conhecimento para alimentar a sua IA, para ela analisar só o que você quer e montar o que você precisa no seu momento.
No grupo de WhatsApp eu mando o link do encontro, os avisos e também materiais, prompts e aulas. Entrar não te obriga a comprar nada.
Entra nem que seja por curiosidade.
Abraço,
Alan Nicolas ♾️
CEO, Academia Lendár[IA]
Links Citados
Segundo Cérebro Vivo: a aula que a IA criou durante a live.
Skill teach, do Matt Pocock: transforma uma pesquisa numa aula com exercícios.
Como o Alan Aprende com IA: o artefato sobre como eu aprendo com IA.
Do Vídeo ao Painel: o processo completo, com os prompts, para transformar um vídeo com várias poses num banco de fotos recortado.
Demos do meu swipe file: exemplos que eu guardo como referência, alguns interativos (por enquanto aberto).
📚 Livros Recomendados:
Disciplina - Jocko Willink: Willink defende agir todo dia sem esperar motivação ou sensação de preparo. Serve de contrapeso à tentação de estudar mais antes de começar, desde que o primeiro passo não possa te arruinar.
13 Coisas Que Pessoas Mentalmente Fortes Não Fazem - Amy Morin: Parte dos hábitos do livro tem a ver com tratar o erro como dado e não como derrota, e com não ficar parado por medo de falhar. É o lado emocional de executar primeiro e deixar o que deu errado ensinar.
Hábitos Atômicos - James Clear: Clear defende mudanças pequenas e repetidas em vez de grandes planos antecipados. Combina com começar pelo menor passo executável e ajustar pelo que o resultado mostrar.
💻 Vídeo Recomendado
Assista a minha ultima live:
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Escrita por: Alan Nicolas utilizando Obsidian potencializado com IA
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