
Você lembra do que você mais quis ganhar quando era criança?
Meus pais trabalharam bastante para comprar aquele Nintendo.
Eu tinha 10, 12 anos, e não tinha condição. Ficava olhando, esperando, sabendo que era caro demais para a nossa casa naquele momento.
Quando ele finalmente chegou, eu já tinha passado tempo suficiente querendo para entender o que era ganhar uma coisa daquelas.
Se eu pudesse voltar e dizer para aquele menino que um dia ele ia construir os jogos, e não só jogar, ele não ia acreditar em mim.
E o primeiro que eu fiz não foi para a internet. Foi para o meu filho, sobre os três porquinhos, e ficou ruim. Simples, travado, cheio de defeito. Mas ele sentou do meu lado e jogou.
Todo adulto já teve uma coisa que fazia sem ninguém mandar, e parou de fazer. A minha estava guardada há uns trinta anos.
Comecei domingo retrasado. Nunca tinha criado um jogo na vida.
A pergunta era simples e eu não sabia a resposta: até onde essa máquina vai? Landing page em 3D eu já tinha feito. Aplicação eu já tinha feito.
Só que jogo é outra coisa. Jogo tem física, som, câmera, peso, colisão. Se um detalhe estiver fora do lugar, quem joga sente na hora.
Então eu fui.
O Bebê Geleia foi o teste de realidade. Pedi um quarto 3D inteiro, e não um quarto qualquer: o quarto do Toy Story.

A janela dele não é imagem colada, é modelo de verdade, com árvore, carro e casa do lado de fora. A sombra da janela bate na parede e bate nele.
Quando ele fica parado tempo demais, dorme e ronca. Quando pula, tem peso. Tem vozinha de criança.
Nada disso é motor de jogo. É navegador. HTML e JavaScript.
O Distrito Rabisco veio depois e foi o que mais rodou. É um jogo de tiro em primeira pessoa, desenhado como rabisco de caderno, e o menu é uma folha pautada.

A ideia por trás é um aluno entediado na aula desenhando no caderno, e por isso o som não é 8 bits de Nintendo. É som real de granada, de bala, de passo na água.
Porque na imaginação daquele menino aquilo estava acontecendo de verdade.
Depois veio o Bomberman, com dez mapas e campo magnético puxando a bomba. Veio o jogo de corrida com carro brasileiro e câmera de carrinho de controle remoto.
E teve um que eu fiz só para saber até onde dava. Chamei de mega realista: farol com ferrugem no metal, chuva caindo, mar batendo, folhagem se mexendo, e o barulhinho do pé pisando na água.
Para montar o quarto em 3D, a máquina abriu o Blender no meu computador. Eu nunca nem abri o Blender. Quem instalou foi ela, e eu fiquei olhando ela trabalhar sozinha por três horas.
Doze publicados. Perto de vinte criados.
E eu não divulguei quase nada. O Rabisco andou sozinho: pela conta que eu abri ao vivo, passou de cem mil acessos e chegou a ter duas mil pessoas jogando ao mesmo tempo. Gente marcando horário para jogar no almoço, todo dia.
Agora o número que interessa para você. Eu não toquei em código nem em design em nenhum momento, e tudo isso saiu de uma conta de mil reais por mês.
Pela minha conta, um jogo no nível do Rabisco, feito do jeito tradicional, levaria um time pequeno de doze pessoas e algo entre seis meses e um ano.
Repara no tamanho da conta. O que exigia um estúdio inteiro agora sai de uma pessoa só, em duas semanas, por mil reais no mês.
E eu não vou fingir que isso vale para tudo. Tem estudo sério mostrando programador experiente ficando mais lento com IA, não mais rápido, quando mexe num repositório gigante que ele já conhece de cor.
O ganho aparece do outro lado: domínio que você não domina, do zero, sem nada legado no caminho. Foi exatamente o meu caso.
Por que uma edição sobre jogos foi parar no seu e-mail
Eu sei quem está do outro lado. Você abriu isto para entender o que fazer com IA na segunda-feira, e a edição é sobre jogo. Eu fiquei receoso de mandar.
Mas eu tenho três regras que eu uso para decidir onde eu entro. Eu quero me divertir. Eu quero me divertir com pessoas incríveis. E eu quero que essa diversão vire alguma coisa positiva para quem está em volta.
Quando as três batem ao mesmo tempo, eu vou fundo. Foi o que aconteceu aqui.
A terceira é a que explica este e-mail chegar em você. Não adianta a coisa ser divertida só para mim.
Empresário que não programa: o que o Cris construiu
O Cris é amigo meu e não é programador. Ele é cara de marketing, mexe com funil, mexe com perpétuo. Nunca tinha criado um jogo. Jogava, só.
Eu mandei o Rabisco no grupo e ele não acreditou que aquilo era meu. Provoquei, ele topou, e escolheu um RPG de máfia, porque gosta dos filmes e gosta de um bom charuto.
A primeira versão 3D dele ficou ruim. Boneco duro, tiro que não saía. Ele me disse que pensou em desistir, que tinha torrado token demais, que já estava na terceira conta.
Enquanto ele estava fazendo isso, a empresa dele estava tendo os melhores meses de faturamento de 2026.
Ele não parou de trabalhar para brincar. As duas coisas aconteceram juntas, e ele mesmo explica por quê: ele olha para o próprio tempo perguntando se aquilo vira um ativo depois.
Foi atrás de um vídeo, mudou o método, e no dia seguinte o jogo era outro. Sangue na parede, tiro de sniper, cenário decente.
Um dia. Depois de quase desistir.
E mudou uma coisa entre a gente que eu não tinha previsto. Antes, quando o grupo se juntava, era para jogar. Agora a gente se junta para testar o que cada um criou e falar o que melhoraria no do outro.
É diferente de jogar. Jogando, o tempo passa e acabou. Testando o jogo um do outro, cada um volta com uma lista do que consertar.
Ele resume assim: não é tempo desperdiçado.
O que se aprende construindo

Pergunta o que ele levou disso e ele não vai falar do jogo.
Ele aprendeu o que é um commit e o que é uma branch. Aprendeu por que o jogo roda no computador de quem joga e não no servidor dele, e o que isso muda na conta no fim do mês.
Aprendeu a deixar a máquina trabalhando enquanto dorme. Aprendeu a trocar imagem pesada por imagem leve sem perder qualidade, porque senão trava no 4G de quem abriu no celular.
Nada disso é sobre jogo.
Repara no que acontece quando você constrói uma coisa que a pessoa precisa entender sozinha, sem manual: você para de aceitar que o seu cliente decore alguma coisa.
Ele tem que sair usando. Isso é o seu onboarding. É a sua página de vendas. É o seu produto digital.
Pensa no seu onboarding hoje. Provavelmente é um vídeo explicando, e a pessoa assiste porque tem que assistir. Não precisa ser assim, e eu aprendi isso montando outra coisa.
A pergunta que ficou comigo foi essa: como é que a gente deixa os outros tipos de trabalho divertidos também?
Porque a parte estranha disso tudo é que eu aprendi muito, e aprendi leve, sem sentir que estava estudando.
E tem a conta comercial que eu faço aqui. O tráfego está cada vez mais caro, todo mês, para todo mundo. Coisa que a pessoa manda sozinha para o amigo não tem CPA.
O Rabisco eu nem divulguei direito, e ele andou no boca a boca.
A criança interior não pode morrer: por que quem se diverte chega mais longe

Um mentorado meu pegou o material e fez um jogo para o filho.
O menino tem um nível de autismo, a família mudou de país, e ele precisava aprender inglês. O pai montou o jogo, o menino começou a aprender sozinho ali dentro, e o pai me mandou mensagem contando.
Não foi para uma escola, não foi para um mercado. Foi para uma criança.
E foi aparecendo coisa do lado, sem eu procurar: conversa com gente de estúdio grande, instituto de educação querendo que eu ensine isso, convite para um evento fora do Brasil.
Tudo de uma coisa que eu comecei porque achei divertido.
E teve o que eu descobri testando o limite do realismo.
Eu fui ver o demo de um jogo de guerra hiper-realista esses dias. Não estava de óculos, estava só olhando a tela. Me deu ânsia, ansiedade, porque parecia vídeo de guerra de verdade, não jogo.
A tendência é as pessoas quererem jogar coisas cada vez menos realistas, porque de realidade já basta. Quando a gente joga, a gente quer sair um pouco daqui.
Não é sobre gráfico bonito. Se fosse, todo jogo bonito estaria bombando.
Agora eu quero falar com você, não comigo.
Eu sei que tem gente aqui na correria do boleto do mês, resolvendo problema de empresa, e que no Brasil já tem coisa chata e irritante demais acontecendo. Justamente por isso.
O seu repertório te trouxe até aqui com uma visão de mundo que ninguém mais tem exatamente igual, e ela está aí dentro parada.
Dá para colocar isso para fora. Escrevendo um livro, gravando um conteúdo, montando um jogo. Escolhe o formato que você aguenta terminar.
O caminho que eu usei nos doze está aberto no fim deste e-mail, de graça.
Você pode achar que ninguém vai querer. Sua mãe vai. Sua tia, seu primo, seu filho. E quando você vê, tem cem mil pessoas dentro de uma coisa que você fez sem esperar nada.
Teresa Amabile passou a carreira em Harvard medindo isso e chegou num princípio que ela chama de motivação intrínseca da criatividade.
A pessoa produz o melhor dela quando está movida pelo interesse e pelo desafio da própria coisa, não por pressão de fora.
Eu vejo isso na prática de um jeito mais bruto. Antes de uma viagem eu baixei cinco horas de aula sobre metodologia de desenvolvimento de jogos e estudei no avião.
Quem está fazendo aquilo só pelo dinheiro não faz isso.
Quem faz porque se diverte estuda o que ninguém estuda, e por isso chega onde quem faz por dinheiro não chega.
Segundo Cérebro com IA: o lugar onde isso tudo ficou de pé
Doze jogos não cabem na cabeça de ninguém.
Cada um tem referência, pesquisa, decisão de mecânica, catálogo de poder, história por trás. Eu já tentei segurar isso em pasta no Drive, tentei no Notion, tenho caderno atrás de mim cheio.
Não para em pé. O que segurou foi ter um lugar onde cada projeto vira um cérebro próprio e as coisas se conectam sozinhas.
É esse sistema que está montado e disponível: doze aulas em Obsidian e o cofre pronto para você plugar.
Não é para você virar especialista em ferramenta. É para você ter, ainda esta semana, uma primeira nota real lá dentro e o hábito rodando.
São sete dias para você entrar, montar e decidir se ficou de pé. Se não ficou, você sai.
O preço está na página.
Abraço
Alan Nicolas ♾️
CEO, Academia Lendár[IA]
P.S. Escreve agora o nome de uma coisa que você faria essa semana se ninguém estivesse pagando por ela. Agora vê quanto disso você já saberia fazer hoje. Essa distância encolheu nas últimas duas semanas e ninguém te avisou.
LINKS CITADOS
Os jogos que eu criei, para abrir no navegador e ver o acabamento
Meu framework de criação de jogos, aberto e de graça
📚 Livros Recomendados:
A Guerra Da Arte - Steven Pressfield: Pressfield dá nome à coisa que te impede de começar o que você mais quer fazer, e o nome não é falta de tempo. Quem descobre que a força tem nome para de negociar com ela.
Em Busca De Sentido - Viktor E. Frankl: Frankl escreveu no pior lugar possível a razão pela qual algumas pessoas continuam produzindo quando nada externo as recompensa.
Rapido E Devagar - Daniel Kahneman: Kahneman prova que seu cérebro é projetado para escolher o caminho que exige menos. Entender isso explica por que a maioria olha para uma coisa nova e a chama de complicada antes de tentar.
💻 Vídeo Recomendado
Assista a minha ultima live:
🗞 Sobre a Newsletter:
Descubra como sobreviver e prosperar na Era da IA ♾️
Escrita por: Alan Nicolas utilizando Obsidian potencializado com IA
Mantenha-se atualizado: Últimas tendências e desenvolvimentos em IA
📲 Redes Sociais
Para mais conteúdos lendários sobre Inteligência Artificial e Business, aproveite para me seguir nas redes sociais:

