Fui trocar a película do celular e o cara da loja tinha uma impressora 3D.

Comecei a falar com ele sobre o Astra, da OpenAI. Ele achou que eu estava falando de um carro.

Expliquei que era a IA do ChatGPT. Falei que ela estava fazendo modelagem 3D muito bem. Falei também das coisas que ele poderia criar.

Ele tinha a impressora ali. Dava para criar umas coisas em 3D e vender.

Eu dou dica para um monte de gente. Quase ninguém segue.

Ele seguiu.

Quando quebrou outra película e eu voltei à loja, ele me contou que estava com vinte impressoras.

Vinte.

Disse que tinha conseguido contratos com empresas da região. Eram coisas que elas viam vender na internet, no TikTok, e não tinham.

Ele pegava as referências, fazia a modelagem, usava o Blender, um programa de modelagem 3D. Imprimia. Às vezes não ficava tão bom, e ele ajustava mais um pouco.

Segundo ele, já estava ganhando mais com aquilo do que com a loja de celular.

Eu queria usar impressão 3D para fazer uma caneca legal, um suporte para controle. Ele estava atendendo empresas da região.

Photoshop, Premiere e jogos misturados: o que já estão recriando com IA

Um desenvolvedor usou IA para recriar sete programas da Adobe, como o Photoshop e o Premiere, e abriu o código.

O PhotoCraft e o FilmCraft ainda estão em alpha, a fase inicial de testes.

Nos jogos, tem muita gente fazendo isso. Já tem jogo do Mário dentro de outros jogos.

Dá para pegar um jogo de tiro e, no lugar daqueles personagens, colocar todos os personagens do Mário.

Ou misturar os dois mundos. Se eu estivesse jogando Mário num jogo de tiro, poderia jogar um cogumelo, o atirador do outro lado jogaria uma granada, e eu saltaria por cima dela.

A gente está quase na era do Player One, aquele filme em que se mistura um monte de personagens.

Isso quer dizer que dá para pegar qualquer jogo ou software e basicamente mudar a skin, mudar a roupa dele.

Em software, é a mesma coisa. Um CRM ou um programa online pode ficar igual, com as mesmas funcionalidades e um banco de dados muito parecido, e mudar só o template, a logo, as cores.

Eu estou fazendo isso com o Rise of Nations, um jogo de 2003. Eu adorava esse jogo, só que ele é muito feio. Estou levando para ele os prédios e os gráficos do Age of Empires 4.

E deixei o Codex rodando por vários dias, com o modelo mais simples deles, para reconstruir o Age of Empires 4 no navegador.

Pedi para ele simplificar e deixar só duas nacionalidades, Inglaterra contra Inglaterra.

Ele coleta recursos, constrói, passa pelas quatro idades, monta exército. Dá para vencer e perder. Ainda faltam algumas pesquisas e alguns marcos.

Muita gente tem feito isso de reconstruir do zero: estudar o original e reescrever o motor inteiro, às vezes em Rust ou em outra linguagem.

Os fãs do Super Smash Bros. Melee passaram cerca de seis anos descompilando o jogo. Quem divulgou avisou que usou IA, o Claude, e o Melee chegou a 100% descompilado.

Descompilar, fazer o caminho de volta do programa pronto até um código que uma pessoa consegue ler, é trabalho de especialista.

Com IA, ficou interessante porque dá para comparar com o original. Ela escreve um pedaço, roda e compara. Se não ficou igual, tenta outra vez, sem cansar e sem precisar dormir.

No Claude Code ou no Codex, dá para dar uma meta, um objetivo, e ele fica rodando por muito tempo. Você só diz: quero que você deixe semelhante ou igual a isso.

A IA encurtou muito o caminho entre olhar um software ou um jogo e conseguir fazer uma versão praticamente fiel a ele.

Para mim, isso vira uma faculdade. Dá para encurtar o tempo de aprendizado aprendendo com aquilo que já deu certo.

Isso também muda muita coisa em propriedade intelectual, e aqui a gente está numa área muito cinzenta.

Nos meus testes, eu coloco avisos e não estou monetizando. É um laboratório para mim, uma partezinha só para eu entender o motor.

REA: engenharia reversa com IA para criar software

A REA é uma ferramenta de engenharia reversa com IA. Ela conecta o agente a ferramentas de investigação e permite estudar como um software funciona.

Ela investiga e devolve o que achou, com as evidências. Com isso, o agente explica, escreve uma versão e testa. Os comentários e os nomes que quem fez escreveu já tinham sumido na compilação.

E dá para pedir só a parte que interessa.

O jeito de que eu mais gosto é pegar uma mecânica de um jogo e levar para outro.

Eu queria levar os carros e as naves do Batman para uma cidade aberta, no tipo de mundo de um GTA. Tinha começado com o Wayne, um site em que dava para ver as roupas e os carros do Batman.

A cidade precisava de pedestres. Os que eu tinha colocado reagiam por sorteio, fugindo ou se encolhendo. Queria entender as reações mais variadas que lembrava do GTA.

Quando coloquei a REA para investigar o GTA, o agente ficou cerca de vinte minutos trabalhando e não me devolveu nada.

Percebi que ele estava tentando descompilar o jogo inteiro.

O que eu queria entender eram as reações dos pedestres.

Passei a fazer perguntas sobre funções específicas e pedi as regras daquele comportamento, para compreender por que ele parecia mais natural que o do meu jogo.

Para conferir se as regras estavam certas, rodei as instruções originais numa bateria de testes.

Isso foi importante: numa das funções, o que o agente tinha extraído estava errado, e se eu tivesse colocado no ar não ia funcionar.

Depois de conferir, levei as regras dos pedestres para a cidade.

Na música, a gente já conhece esse movimento de construir em cima de algo existente. Tem remix, tem quem pegue a parte dos instrumentos e coloque outra voz.

Quantas músicas a gente tem no Brasil que foram copiadas de músicas estrangeiras, traduzidas, com outra letra por cima.

Todo software, todo jogo foi inspirado em outros. As pessoas querem algo que traga para elas um sentimento diferente.

O teu gosto e a tua criatividade continuam importantes. É você que decide o que vale a pena fazer.

Conferir se uma cópia se comporta como o original é uma coisa. Quando a criação é nova, não tem original para comparar. Dá para colocar o Batman num GTA. E aí?

A IA pode fazer mil versões de um jogo, só que ela não sabe qual delas vai ser divertida.

Para saber se aquilo está divertido, ou se um software atende mesmo a uma necessidade, é preciso colocar para rodar e ouvir o meu feedback e o de quem vai usar.

Eu não acho que o software esteja resolvido. Nos meus testes, a IA consegue fazer uma boa parte, mas deixa pontas soltas. São bugs que só se resolvem com tempo, testes e gente usando e reportando.

E nem sempre vale a pena descompilar.

Em alguns casos, tentar descobrir como fizeram uma função pode gastar mais tokens, o consumo pago da IA, que construir uma versão dela diretamente.

Eu descompilo o que desconheço e quero entender. Muita informação de jogos já está nas wikis de fãs; nos programas, há documentação que explica boa parte do funcionamento.

Às vezes a resposta já está ali, e eu não preciso descompilar.

Eu prefiro descompilar quando é uma regra muito específica, que eu levaria muito tempo testando para descobrir.

Ou a mecânica: como o jogo te faz sentir, a velocidade que ele tem. Isso é muito difícil de afinar.

Óculos e realidade virtual: o que construí com engenharia reversa

Eu tenho um óculos pequeno que funciona como outro monitor quando conectado ao celular ou ao computador.

É pequenininho, e percebi que ele tinha sensor de movimento e duas telas.

Pensei: será que eu consigo transformar isso num óculos de realidade virtual? Daqueles em que você vira a cabeça e a imagem acompanha.

Fiz um aplicativo no computador, e com ele eu assisto qualquer vídeo do YouTube gravado em 360 graus.

Depois fiz outro no iPhone. O vídeo do YouTube fica num cantinho do lado, e eu continuo vendo quem está na minha frente.

Também coloquei os agentes que estão sempre rodando comigo, o Codex e o Claude Code, em regiões do campo de visão, embaixo e em cima. Eu mexia neles pelo aplicativo no celular.

Fiz engenharia reversa de um software desenvolvido para outro VR, mais conhecido. Investiguei como ele fazia aquilo e adaptei para o meu óculos.

É um óculos muito específico. O desenvolvedor não vai perder tempo fazendo isso.

Criação de conteúdo e código aberto: mostrar o que foi construído com IA

No anúncio das reimplementações inspiradas na Adobe, o criador deixou os links dos sete projetos no GitHub, o site onde programadores publicam código.

Ele convidou as pessoas a fazer forks, ajudar no desenvolvimento, experimentar e relatar problemas.

Um fork é uma cópia do projeto a partir da qual alguém pode trabalhar. Quem quiser continuar encontra os arquivos, além do que foi mostrado no anúncio.

Dá para baixar o código e experimentar. Dá também para abrir o código, entender uma função e adaptá-la.

A cidade do Batman, com as regras dos pedestres, roda no navegador. Qualquer pessoa pode abrir e testar.

Alguns dos jogos que eu faço ficam publicados, e as pessoas têm gostado. Eles partem de mecânicas que eu já estudei em jogos que funcionam.

Um vídeo gravado pode ter gente assistindo um ou dois anos depois. Passa o tempo, e o YouTube continua entregando, em levas.

Na pandemia, eu escutava uns caras de noite, enquanto lavava a louça. O tempo do vídeo era o tempo de lavar a louça.

Quando um deles fazia um vídeo menor, eu já ficava: tá, o que eu vou escutar agora? Nos comentários, o pessoal reclamava que não tinha dado tempo de terminar a louça.

Se eu mostro o controle do óculos pelo celular, alguém pode perguntar se dá para usar aquilo com outro aplicativo. Aí é outra investigação, com uma necessidade que é dessa pessoa.

Eu queria uma caneca e um suporte. O comerciante encontrou o que produzir para as empresas da região.

Que parte do que você já fez, com IA ou sem ela, valeria colocar diante de alguém que poderia usá-la de outro jeito?

Cohort Imagem & Vídeo com IA: turma do Danilo em 26 de outubro

O Danilo Souza abre uma turma ao vivo de imagem e vídeo com IA. São cinco aulas, e cada processo é montado ali, durante a aula, com a turma junto.

Começa na segunda-feira, 26 de outubro, às 18h30. Todas as aulas ficam gravadas na plataforma da Academia.

As dúvidas vão para o grupo de WhatsApp da turma, com o professor e a equipe.

Abraço,
Alan Nicolas♾️
CEO, Academia Lendár[IA]

P.S. O mais maluco em qualquer inovação tecnológica são as ondas de segunda e terceira instância, aquelas que a gente nem percebe. A OpenAI lançou o Astra. E o cara da loja de película de celular passou a ganhar dinheiro com impressora 3D.

📚 Livros Recomendados:

Nexus - Ramez Naam: Um grupo de estudantes transforma uma droga em sistema operacional para o cérebro, e o livro inteiro gira em torno de quem deve ter acesso a esse código. Lido agora, é um romance sobre a decisão que todo mundo que constrói com IA vai ter que tomar: guardar ou soltar. A edição do link é em inglês.

A Negacao Da Morte - Ernest Becker: Becker ganhou o Pulitzer argumentando que boa parte do que a gente faz é tentar deixar alguma coisa que dure mais do que a gente. A pergunta que o livro deixa: o que sobrevive mais, a obra guardada na gaveta ou a que outras pessoas pegam e transformam?

Quem Pensa Enriquece - Napoleon Hill: Em 1937, Hill já separava dois tipos de imaginação, e um deles não cria nada do zero: só rearranja ideias e planos velhos em combinações novas. Quase ninguém lembra desse capítulo, e é exatamente o que você faz quando abre um jogo antigo com IA para montar o seu.

💻 Vídeo Recomendado

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  • Escrita por: Alan Nicolas utilizando Obsidian potencializado com IA

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