Enquanto eles brigam, nós ganhamos

GPS, câmera, internet. Tudo nasceu de gente brigando. Agora é a vez da IA.

Você abre o GPS e em 3 segundos sabe onde está. Isso só existe porque dois países quase se destruíram disputando quem chegava no espaço primeiro.

A câmera do seu celular? Nasceu de espionagem por satélite. Dois governos gastando bilhões tentando fotografar o território do outro do espaço. O que sobrou virou o sensor que você usa pra tirar foto do prato.

A internet? Militares americanos precisavam de uma rede que sobrevivesse a um ataque nuclear. Não estavam pensando em você assistindo vídeo no sofá. Estavam pensando em não perder pra União Soviética.

O padrão se repete há décadas: eles brigam, nós herdamos. E agora esse padrão está acontecendo com IA na sua frente, em tempo real, numa velocidade que nenhuma dessas brigas anteriores chegou perto.

Mais inteligência artificial do que todos os cérebros humanos vivos

Ontem, na Índia, o primeiro-ministro Modi juntou os maiores nomes da IA no palco e pediu que todos dessem as mãos para uma foto. Pichai deu. Alexandr Wang deu. Altman e Amodei, um do lado do outro, levantaram o punho sozinhos. Cada um pro seu lado. Nem se olharam.

A foto que rodou o mundo não foi a da cooperação. Foi a do constrangimento.

Quando os repórteres perguntaram pro Altman o que aconteceu, ele disse que estava confuso, que não sabia o que devia fazer. Horas antes, no mesmo palco, esse mesmo cara tinha dito que até o fim de 2028, vai ter mais capacidade intelectual dentro dos data centers do que fora deles.

Mais inteligência artificial do que todos os cérebros humanos vivos somados. Dois anos. Isso não é ficção científica. É o CEO da maior empresa de IA do mundo falando com data e convicção no mesmo evento onde não conseguiu apertar a mão do rival.

E se ele estiver certo, o que você faz hoje no computador não vai existir do jeito que existe agora. Nada vai.

Mas essa briga entre bilionários no palco tem uma consequência que ninguém fala: quem ganha sou eu. E você, se parar de escolher lado.

Porque enquanto eles não conseguem nem se olhar, os modelos que eles constroem ficam melhores e mais baratos toda semana. A vista de cima de todos eles ao mesmo tempo é melhor do que de cima de qualquer um sozinho.

Quem entende isso chega mais rápido

Tem gente que aproveita o Carnaval no bloco, tem gente que aproveita na praia, tem gente que aproveita dormindo. Eu aproveitei o domingo de Carnaval com 10 terminais abertos. 3 com Codex, 6 com Claude Code e 1 com Gemini CLI.

Commit atrás de commit. Enquanto todo mundo tava curtindo, eu tava testando uma coisa que vinha pensando faz semanas: e se eu unificar os modelos para ter o melhor de cada um ao mesmo tempo?

Eu cheguei a ter 3 contas Max do Claude. Três. Porque uma não dava conta. O token acabava no meio da task, o modelo travava, e eu ficava ali olhando pro terminal esperando o crédito resetar.

Agora com os modelos rodando juntos, esse problema simplesmente sumiu. O Codex faz 50 quilômetros por litro de token. O Claude faz 3. Não é benchmark de laboratório. É o consumo real de quem usa os dois o dia inteiro, medido na unha.

Porque quando preciso de planejamento pesado, PRD, quebrar um projeto em epics e stories, aí o Claude entra. Ele consome mais, demora mais para começar, mas quando planeja, planeja de verdade.

E o Codex só chegou nesse nível porque a OpenAI viu o Claude dominando e precisou reagir. A briga entre eles é o que fez os dois ficarem bons o suficiente pra eu poder usar os dois ao mesmo tempo.

O Codex é aquele tiozão programador que não sabe nem falar com as pessoas, mas você dá um problema pra ele e ele resolve. Não consigo fazer ele baixar de 80% de precisão nunca. Nunca.

Desde o 5.1 ele já era melhor para problemas complexos de código. O 5.3 os caras arrasaram. Pra execução bruta, é praticamente invicto.

O Claude é o oposto. Antes de dar um tiro, ele se prepara como o Kiko se preparando. Capacete, colete, mira telescópica, protetor auricular. Demora.

Mas quando executa um plano, cada peça está no lugar certo. PRD, epics, stories, devops, QA detalhado. É ele que consegue trabalhar por horas seguidas num projeto sem perder o fio.

É ele que tem os hooks que integram com o fluxo completo do AIOS. Perguntar por que eu ainda uso os dois é como perguntar por que um piloto usa tanto o freio quanto o acelerador.

E tem o que o Pedro Valério coloca bem: a grande maioria das tarefas do dia a dia são determinísticas. Mais de 80% do que você faz no trabalho não precisa de raciocínio pesado. Não precisa do melhor modelo com o melhor raciocínio. Precisa de execução confiável e rápida.

O Codex entrega isso com perfeição. O Claude guarda a energia para o que realmente precisa de planejamento. Cada um no seu lugar. E esse "lugar" só existe porque as duas empresas estão gastando bilhões tentando ganhar o seu terminal.

Caiu 93% em dois anos

A pergunta que todo mundo faz é "qual é melhor?" E eu entendo. É a pergunta mais cômoda. Uma resposta, uma conta, uma lealdade, e a dúvida vai embora.

Só que a dúvida não vai embora. Ela volta toda semana com um novo benchmark. A pergunta certa não é qual é melhor. É: você pode se dar ao luxo de depender de um só?

Se o barato faz 80% do trabalho com qualidade, e o caro faz os 20% que exigem profundidade, a conta fecha sozinha. E você para de ficar refém de update.

Falando em modelos, a Anthropic lançou o Sonnet 4.6 essa semana. Estavam desenvolvendo o Claude 5, ficou aquém do esperado, mudaram a nomenclatura pra 4.6 e lançaram assim. Pra mim é 8 ou 80. Ou é o top de linha ou é o fracote. Nem vou testar.

Quem to querendo enganar? Já mudei de ideia enquanto escrevia isso. Porque é isso que acontece nesse mundo. Você forma uma opinião de manhã e a realidade muda à tarde.

O modelo que era fraco ontem recebe um update e vira competitivo. O que era imbatível tropeça num benchmark e a comunidade inteira muda de lado.

É por isso que não faz sentido ser fã de modelo. Fã torce. Quem trabalha usa o que funciona. E a competição vai fazer a Anthropic lançar o Claude 5 mais rápido e melhor do que lançaria sem pressão. Pode anotar.

E enquanto eu escrevia essa newsletter, o Google soltou o Gemini 3.1 Preview. Dobro de desempenho de raciocínio. Dois dólares por milhão de tokens de input. Mais um peso-pesado entrou na briga. E o Gemini CLI já integra com AIOS.

Briguem. Briguem muito. Porque eu tenho os números do que essa briga faz por quem usa.

O GPT-4 lançou a $30 por milhão de tokens de input. Hoje o GPT-4.1 custa $2. Caiu 93% em menos de dois anos. E não caiu porque ficaram generosos.

Caiu porque o DeepSeek lançou o R1 a $0.55 por milhão e a Nvidia perdeu 17% num único dia.

A OpenAI respondeu com o GPT-4.1 cortando preço em 26%. A Google respondeu dobrando a performance de reasoning no Gemini. A Anthropic respondeu expandindo o plano grátis do Claude dois dias depois da OpenAI anunciar ads no ChatGPT. A frase no comunicado: "No ads in sight."

Cada soco de um é feature nova pro outro. E quem fica com todas as features sou eu.

A competição não vai parar. E quanto mais eles competem, mais baratos e melhores ficam os modelos. E quanto mais modelos bons existem, mais absurdo fica escolher só um.

E não é só o preço que caiu. É o que eles conseguem fazer agora.

Em outubro de 2023, o melhor modelo acertava 4.4% dos testes do SWE-bench. Hoje passa de 75%. Em 2024, nenhum modelo comercial conseguia codar autonomamente por mais de alguns minutos. Em setembro de 2025, o Claude já rodava 30 horas seguidas.

O progresso não é uma linha reta subindo devagar. Quando você coloca num gráfico em escala normal, o salto é exponencial. Projetos que eu abandonava porque o modelo travava na metade agora rodam do começo ao fim.

Não é que ficou "um pouco melhor". É que coisas que eram impossíveis viraram rotina.

Isso é só software. No mundo físico a coisa é ainda mais fascinante.

Em 2025, os robôs da Unitree dançaram desajeitados com um lenço vermelho no maior evento televisivo da China. Em 2026, os mesmos robôs executaram sequências de Kung Fu com espadas, nunchakus e até boxe bêbado.

1 ano. É o tempo que levou para ir do "robô engraçado" para "robô que bota medo".

É meu amigo, se até os ninjas estão perdendo o trabalho deles, o que sobra pra nós?

Só que tem um detalhe importante nessa história: na IA física, 1 ano é uma eternidade. Em código, essa mesma evolução acontece em dias.

O Codex 5.1 era bom. O 5.3 veio e arrasou. O Claude Opus 4.6 saiu e mudou a dinâmica. O Gemini 3.1 Pro apareceu na mesma semana com o dobro de performance.

Como o Pedro Valério coloca: a maioria das tarefas que te deixam cansado, que te fazem perder o sono, que transformam o dia num saco de Ctrl+C e Ctrl+V, são determinísticas. Não precisam de IA cara. Precisam de execução que funciona 100% das vezes, igual.

Na minha prática de cinco meses rodando AIOS com squads de agentes em paralelo, isso não é projeção para 2030. É o que já funciona agora, com as ferramentas que já existem.

Ninguém é invicto nessa liderança. Essa frase parece óbvia mas a maioria das pessoas age como se fosse mentira. Escolhe um modelo. Aprende o fluxo. Finge que a competição não existe. É o equivalente a escolher um banco em 2015 e nunca mais checar as taxas.

O Claude era imbatível até o Codex 5.3 chegar e resolver problemas complexos mais rápido por uma fração do custo.

O Codex parecia definitivo até o Opus 4.6 sair e lembrar todo mundo que planejamento pesado é outro jogo. E o Google soltou o Gemini 3.1 Pro no meio disso tudo.

Grave isso: a posição perdedora não é escolher o modelo errado. É depender de um modelo só. 

E a vantagem injusta de quem entende isso é que cada novo lançamento, cada briga pública, cada bilhão investido pra não ficar pra trás, aumenta a competição que trabalha a seu favor.

Enquanto eu ainda estava limpando os terminais do domingo de Carnaval, saiu o ranking de frameworks de automação com IA. O AIOS estava em segundo lugar. Segundo lugar no mundo. Eu tive que ler duas vezes.

Com os avanços que eu e o Pedro está colocando no AIOS. Eu me sinto como a OpenAI e a Anthropic se sentiam quando tinham um modelo bom que ninguém mais tinha. Só que de forma invertida: eu tenho acesso a todos, e eles estão gastando bilhões competindo entre si para me servir melhor.

Cinco meses de construção. Criado pelo Pedro Valério. Mas o que explodiu nos últimos dias não existia semana passada. O Codex 5.3 veio 100% integrado com AIOS-Core. Passei 3h testando e posso dizer: Opus 4.6 tá perdendo feio.

Agora você chama os agentes por $ ao invés de /. E já vem com synapse, que faz os agentes se comunicarem entre si sem você precisar intermediar. Tá surreal de bom.

Não fui eu que pedi. Não foi parceria. O ecossistema convergiu sozinho. Gemini CLI também. Digita / e aparecem todos os comandos AIOS. Três engines diferentes, todas falando a mesma língua.

Isso só está acontecendo porque abrimos. Quando o mercado inteiro adota o que você construiu sem você pedir, isso não é hype. É validação.

O AIOS roda com Claude Code, Codex CLI, Codex App, Gemini CLI, Cursor, Antigravity. Só fica sem token quem quer. O Codex no App com 2x já é umas 10x mais econômico que o Claude. Com uma conta Plus de $20 é quase token infinito.

E é exatamente isso que te protege quando o modelo que você jurou ser o melhor tropeça no update seguinte.

Pela primeira vez na minha vida, eu posso criar meus colaboradores e eles me obedecem. Pela primeira vez, o que eu imagino de manhã está funcionando à noite. Pela primeira vez, um framework brasileiro está competindo com o mundo inteiro e ganhando.

Tem muitas mudanças por vir. Só digo: espere para ver. Na verdade, não espere. Você precisa testar pra ver o que tá mudando.

Não nasceu de competição. Nasceu do oposto.

Mas não é o ranking que eu quero que fique pra você.

Até aqui eu só falei de competição. De como a briga entre gigantes gera tecnologia que nós herdamos. GPS, câmera, internet. Tudo nasceu de gente brigando. Tudo ficou pra nós.

Mas o AIOS não nasceu de competição. Nasceu do oposto.

Nasceu de uma comunidade que existe desde 2023. Gente que apareceu, testou, travou, destravou, e continuou. Gente que rodou o primeiro agente em menos de 30 minutos. Gente que está construindo junto, commit atrás de commit, semana atrás de semana.

O segundo lugar no mundo não foi um cara sozinho na sala com 10 terminais. Foi essa rede inteira empurrando junto.

No Vale do Silício, tem cerca de 10 encontros por dia onde as pessoas compartilham de graça o que estão construindo. Eles entendem que criando um ciclo de abundância, todo mundo evolui junto. Por que a gente não pode fazer a mesma coisa no Brasil?

O AIOS é gratuito. É open source. As documentações estão em português, espanhol e inglês. Porque isso não é pra ficar só no Brasil. É pra ir pro mundo.

Vocês estão recebendo em primeiro lugar porque são brasileiros. Eu quero que os brasileiros extraiam mais valor disso do que qualquer gringo. E eu sei que podem.

Tá ficando cada vez mais fácil criar soluções com IA. E isso vai escancarar o que sempre foi verdade mas pouca gente prestou atenção: o que gera riqueza nunca foi a solução. Foi produtizar e, mais que tudo, dominar distribuição. Código já é commodity. Distribuição, não.

Já provamos que é possível. Um framework brasileiro competiu com o mundo inteiro e ficou no topo por dias. Agora é hora de voltar e ficar de vez.

Entra no GitHub e instala. Não é pra dar estrela e sair. É pra testar. Roda o primeiro agente. Vê com seus olhos. Aí, se fizer sentido, dá a estrela. Porque estrela de quem usa vale mais do que mil de quem só passou por hype.

Quem instalar agora pega a integração Codex 5.3 + Gemini CLI nativamente. Não é versão futura. É o que existe hoje.

A briga entre gigantes beneficia nós. Agora é a nossa vez. Não brigando contra eles. Usando o melhor de cada um, juntos, no mesmo framework. Enquanto os gigantes brigam, a gente herda. Enquanto o mundo discute, o Brasil executa.

E quanto mais gente junto, mais forte fica.

Eu quero ver quem está testando. Mostra sua evolução no Instagram. Marca a gente. Porque eu quero provar que brasileiro executa mais rápido que qualquer gringo.

(E sim, eu sei que acabei de pedir pra você usar o Instagram. Eu digo isso há muito tempo: Instagram, LinkedIn, TikTok, todos são feeds infinitos que te dão a ilusão de que você está aprendendo. Você rola, rola, rola, e no final do dia não construiu nada.

Quer aprender de verdade? YouTube, News, Livros e Blogs. Quer se atualizar e se conectar com quem está construindo? X. Mas pra mostrar resultado? Aí o Instagram serve. Posta no story, manda na DM do @oalanicolas. Eu quero ver.)

Alan Nicolas ♾️
CEO, Academia Lendár[IA]

P.S. Se você leu a newsletter da semana passada (13 de fevereiro) e ficou pensando na imersão, o formulário ainda está aberto pra quem já tem resultado.

📚️ Livros Recomendados:

  • As Superpotencias Da IA - Kai-Fu Lee: A briga entre OpenAI, Anthropic e Google pelo topo não é gesto. É real e mede. Lee explica o jogo geopolítico da IA. Quando você entende por que eles estão brigando, você pega os benefícios.

  • Sapiens - Yuval Noah Harari: GPS, câmera, internet. Todas nasceram de guerra. A história se repete. Você acha que essa é a primeira vez que a humanidade herda tecnologia militar? Harari mostra o padrão de 70 mil anos. Quando você lê Sapiens depois de entender multi-modelo, você vê que tá no meio da mesma coisa que já aconteceu antes. Competição gera riqueza. Sempre foi assim.

  • Antifragil - Nassim Nicholas Taleb: Frágil quebra com volatilidade. Robusto resiste. Antifragil melhora com volatilidade. A competição entre modelos é a maior fonte de volatilidade em software. Quem depende de um modelo? Morre com um update. Quem roda os três? Prospera. Taleb explica por que você ganha quando o mercado é imprevisível.

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