Você já escreveu num documento uma coisa que explicava toda semana. Mandou pra pessoa. Ela respondeu "perfeito, obrigado". E na semana seguinte fez errado do mesmo jeito.

A culpa não é dela. Um documento conta qual é a regra, mas não coloca ninguém na hora de usar a regra, e é nessa hora que a decisão acontece.

Nesta edição:

O Framework: por que jogo prende sem precisar cobrar atenção, o que a pesquisa diz sobre reler versus ser testado, e o que dá pra tirar disso pro seu trabalho.

O Manual: a ferramenta que isso exige, quando não vale a pena, o limite dito na cara, e o pedido inteiro pra colar hoje.

Ninguém precisa se obrigar a jogar

Repara nisso. Pra abrir um manual, pra terminar um curso, precisa. Pra jogar, não.

Isso não é talento de quem faz jogo. Em 2006, Henry Roediger e Jeffrey Karpicke publicaram um estudo que virou referência em educação: quem é testado sobre um material lembra mais dele do que quem relê o mesmo material. E tem um detalhe cruel ali dentro. Logo depois de estudar, quem releu vai melhor. Dias depois, perde feio.

Quando você relê, parece que está entrando. Some depois. É o que está acontecendo com o seu documento.

O outro pedaço é o que Mihaly Csikszentmihalyi chamou de flow: a pessoa fica absorvida quando a dificuldade acompanha a habilidade dela. Jogo grande é construído em cima disso, e por isso ele fica mais difícil na mesma velocidade em que você fica bom.

Pegar esses dois mecanismos e colocar numa coisa que não é jogo tem nome: gamificação. O termo virou sinônimo de pontinho e medalha em cima de curso chato, e não é disso que eu estou falando. É fazer a pessoa decidir, viver a consequência na hora, e poder errar sem que o erro custe nada.

Um aluno meu fez isso, e não era pra empresa nenhuma

Ele montou um jogo de matemática pro filho, em cerca de três horas.

Não pra uma escola. Pro filho dele, ajustado ao tempo de atenção que aquele menino aguenta antes de largar.

Já tinha tentado antes por outro caminho e precisava corrigir muito. Com o modelo novo saiu com poucas interações.

Guarda esse caso, porque ele é o tamanho certo da coisa. É uma coisa feita pra uma pessoa só, e isso hoje custa uma conversa.

O que eu estou compartilhando

O processo que eu uso pra montar os meus jogos, aberto num endereço público. De graça, sem cadastro.

Você não precisa saber programar pra usar. Aquilo foi escrito pra máquina ler, no detalhe que uma IA precisa pra executar. Você mostra o endereço, ela lê, e aplica no que você pedir.

Serve pra virar aquilo que você explica repetindo "não é assim que faz". E serve pra você mesmo. Aquele curso que você comprou e parou na metade vira situações em que você decide, e aí descobre se aprendeu ou se só assistiu. Eu começaria por esse, porque o material já é seu e ninguém depende de você.

Não serve pra tudo. Se a pessoa só precisa saber uma informação, isto é desperdício. Onde fica o arquivo, qual é o prazo, manda uma mensagem. Isto paga quando existe decisão, quando escolher errado custa alguma coisa, e quando você consegue dizer o que era certo e por quê.

E antes de mandar pra qualquer pessoa, percorre você mesmo escolhendo de propósito as respostas erradas. Se a consequência que aparecer for uma frase genérica em vez da sua regra, foi a IA que completou sozinha.

COMO USAR

Precisa de uma IA com acesso ao seu computador, não uma que só conversa numa aba. As duas mais usadas hoje são o Claude Code e o Codex, que fica dentro do ChatGPT, e deixei o material preparado pros dois. Elas se instalam uma vez e abrem pelo terminal, e as duas rodam em plano pago. O material é de graça; a ferramenta que roda ele, não. Se hoje isso está longe demais, guarda a edição: texto não estraga.

Com ela instalada, são três passos:

  1. Abre uma conversa nova, apontada pra uma pasta onde você possa trabalhar.

  2. Escreve dois erros que já aconteceram de verdade aí, com o que cada um custou.

  3. Cola o pedido abaixo, preenchido. Quem baixa o material é ela, não você.

O passo 2 é o mais fácil de pular e o que mais decide o resultado. Sem ele a IA inventa situações genéricas, e quem jogar não se reconhece em nenhuma.

Uma última coisa, porque muda o que volta pra você. Eu usei o Astra, o modelo novo, e pra esse tipo de construção ele está muito bom. Parte do acabamento é mérito dele, não do material. Com um modelo mais fraco o caminho é o mesmo, mas a primeira tentativa não sai igual, e aí não é o material que falhou.

Agora é com você

Roda uma vez esta semana, com uma coisa real. Não com um exemplo bonito. Com aquilo que você já explicou três vezes, ou com o curso que está parado na metade.

O pedido está logo abaixo, inteiro, e resolve um assunto.

O que ele não faz é olhar o teu caso: o que vale a pena virar isso e o que não vale, e o que fazer com o tempo que sobra quando as coisas começam a rodar sem você. Quinta, às 14h, eu faço a live da semana e mostro como venho usando isso por aqui. Ainda estou montando o que vai entrar.

Mão na massa

Antes de colar, abre esta página e joga uma rodada:

Não é pra estudar. É pra ver o ciclo acontecendo: você tem a ideia, a IA constrói, o método testa, e quando não funciona a rodada volta. Leva dois minutos e você entende o que a IA vai fazer com o seu material.

Depois volta aqui, preenche os colchetes e cola inteiro:

Baixa este material aqui no meu computador:
https://github.com/oalanicolas/alanstudio-framework
Depois usa o processo dele pra montar o que eu vou pedir.
Não precisa me explicar o material.

Quero [um treinamento, um preparo de reunião, uma revisão de um curso],
pra [outra pessoa, ou pra mim mesmo], sobre [o assunto].

A pessoa recebe seis situações, uma de cada vez, e escolhe entre três
respostas. Cada escolha mostra o que aconteceria na prática, usando as
minhas regras e não o senso comum. Depois de cada situação, mostra qual
era a resposta certa e o motivo.

Inclui obrigatoriamente estes erros que já aconteceram de verdade:
[erro 1, e o que ele custou]
[erro 2, e o que ele custou]

A situação que a pessoa errar volta mais pra frente, e só termina quando
ela acertar. No fim, mostra quantas ela acertou de primeira.

Usa só as regras do material que eu colei. Não inventa regra, número nem
prazo que eu não escrevi. Se faltar informação, pergunta antes de inventar.

Me entrega uma versão que eu consiga abrir e me diz como abrir.

MATERIAL:
[colar aqui o seu texto, do jeito que ele está hoje]

Se alguma situação sair com a regra errada, corrige assim, sem refazer o resto:

Na situação [qual], a resposta certa apareceu como [o que apareceu]. A resposta certa é [o que é], porque [motivo]. Corrige só essa situação e deixa as outras como estão.

O que sai disso abre no navegador. Você manda o link e a pessoa joga, sem instalar nada e sem cadastro do lado dela.

Onde isso trava

Colou numa IA que só conversa. Ela responde bonito, descreve o que faria e não baixa nada. Descrição não é execução.

Não escreveu os dois erros reais. É o passo que todo mundo pula porque parece detalhe. Sem ele saem seis situações de manual de RH.

Aceitou as seis situações sem percorrer. A IA acerta a forma quase sempre e erra a sua regra de vez em quando. As erradas não vêm marcadas.

Pediu um jogo. Você não quer um jogo. Você quer o seu assunto com a mecânica do jogo dentro. Se o pedido virar "faz um joguinho sobre o meu tema", volta e escreve o que a pessoa tem que decidir.

P.S. Antes de fechar o e-mail, escreve os dois erros do passo 2. Leva dois minutos. Se saírem, você já tem a única parte que a máquina não tinha como adivinhar sozinha. Se não saírem, o problema nunca foi de ferramenta.

O método explicado, com uma rodada pra jogar. Dois minutos pra ver como funciona antes de pedir. games.alanicolas.com/framework

O material. É o endereço que você mostra pra IA, e já está escrito dentro do pedido acima. Aberto, de graça, sem cadastro. github.com/oalanicolas/alanstudio-framework

Os jogos que eu montei com ele, pra ver no navegador o acabamento que sai disso. Alan Studios

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