Sua IA é burra? A culpa é sua

A IA faz exatamente o que você manda. Esse é o problema.

A IA faz exatamente o que você manda. Esse é o problema.

E ela é absurdamente eficiente em fingir que as coisas estão dando certo. Em te entregar exatamente o que você quer ver. Sem processo de verificação, você acredita.

Aí sai pro mundo real e nada se sustenta.

Em 1979 a VisiCalc chegou ao mercado. Era a primeira planilha eletrônica. Pela primeira vez, um computador fazia em segundos o que um contador levava horas calculando na mão.

A previsão era óbvia: contadores iam desaparecer. Automação pura, sem escapatória.

O que aconteceu foi o oposto. Nos Estados Unidos, o número de contadores foi de 339 mil para 1,4 milhão. Multiplicou por mais de 4.

Quem sumiu foram os 400 mil profissionais que faziam cálculos manuais. Os que somavam, subtraíam e conferiam números o dia inteiro. Esses desapareceram.

Quem sobreviveu não foi o mais rápido na HP 12C. Foi quem interpretava os números e tomava decisões com base neles. Quem assinava o parecer. Quem carregava a consequência no próprio corpo.

Isso aconteceu em 1979. Está acontecendo de novo agora, com IA, na sua frente. Só que dessa vez não é uma categoria profissional. São todas.

O agricultor que sabia o que plantar

Pensa num agricultor americano em 1950. Segundo dados do USDA, um fazendeiro alimentava cerca de 26 pessoas. Hoje, um único operador alimenta 169.

O trabalho não ficou mais fácil. Ficou mais alavancado.

A programação agentiva está fazendo a mesma coisa com software. Um único dev que sabe orquestrar agentes entrega o que antes precisava de um time inteiro. Não porque o trabalho sumiu. Porque a alavancagem multiplicou.

Software que não é o core do seu negócio virou commodity. Ponto. Empresas vão gerar ferramentas com IA como estratégia de marketing, não como produto.

O software em si não vale mais nada. O que vale é o contexto proprietário e a base de usuários. Se o seu diferencial é "ter um software", você já perdeu.

Qualquer pessoa hoje pode cultivar seus próprios vegetais. Tem tutorial no YouTube, semente no mercado, vaso na varanda. Quantas fazem? Poucas. Não por falta de acesso. Por falta de clareza sobre o que plantar, quando plantar, e pra quê.

O agricultor que prosperou com a mecanização não foi o que comprou o trator mais potente. Foi o que já sabia o que a terra dele produzia, o que o mercado precisava, e o que ele queria construir com aquilo.

Eu falei exatamente sobre isso no Cohort Avançado, em aula fechada. Pega o que você produziu no início, por pior que seja, planta como semente, deixa crescer, depois colhe o fruto.

Tem uma maturidade que não dá pra comprar, não dá pra acelerar com prompt, não dá pra terceirizar pra nenhum modelo.

Tem gente nesse momento discutindo qual stack de agentes escala melhor, qual framework tem menos overhead, qual modelo responde mais rápido.

Eu vi isso acontecer ao vivo na aula. Falei na cara: vocês estão discutindo como expandir um carro que nunca ligou. O problema não é a engine. É que não sabem pra onde estão dirigindo.

Alavancagem amplifica decisão. Boa decisão vira resultado extraordinário. Decisão ruim vira escala de erro.

E quando o campo não brotou, a pergunta não cai sobre o trator. Cai sobre quem escolheu o que plantar.

Quando alguém fala "você precisa ter processo antes de usar IA", parece burocracia. Parece excesso. Parece coisa de empresa grande que não se aplica a você.

Até o dia que você perde um projeto inteiro porque a IA gerou algo que parecia certo mas não era.

A IA não perde sono às 3h da manhã

A IA executa absurdamente mais rápido do que qualquer pessoa. Distribui conteúdo se for comandada pela pessoa certa. Mas não tem pele em risco.

Não perde cliente. Não perde dinheiro. Não perde sono às 3h da manhã revisando uma decisão que tomou errado.

O Nassim Taleb escreveu sobre exatamente esse tipo de situação. Você só pode confiar em quem tem algo a perder. A IA não tem. A culpa nunca é dela. É sempre do operador.

Isso apareceu várias vezes no Cohort Avançado. Numa das aulas, o Claude ficou "burro" no meio de um projeto. Todo mundo achou que era o modelo.

Falei pro Pedro: cara, o que aconteceu aqui? Depois descobrimos que era falha de configuração nossa. O caminho dos arquivos estava apontando pro projeto errado.

A IA seguiu as instruções que demos pra ela. Instruções erradas, resultado errado.

E sabe o que é mais perigoso? A IA não te diz quando erra. Ela te entrega o erro com a mesma confiança que entrega o acerto. Você não tem como distinguir um do outro sem processo.

Sem processo de verificação, você acredita. Você vira o todo-poderoso dentro de um micro-ambiente que você criou. Aí sai pro mundo real e o que parecia sólido desmorona na primeira prova real.

Processo primeiro. IA depois. Nessa ordem. E processo quem define é o humano com histórico, com contexto que não cabe num prompt, com nome assinado embaixo da entrega.

Mas tem mais uma coisa que a IA não faz sozinha. Distribuir de verdade.

A IA agenda post, dispara email, segmenta lista. Tecnicamente, distribui. Só que distribuir não é apertar botão de enviar. Distribuir é saber PRA QUEM enviar, em que momento, com que mensagem, por qual canal.

É saber que o cara que abriu seu email três vezes mas não clicou precisa de uma abordagem diferente do que acabou de entrar na lista. Isso é decisão. Isso é contexto. Isso é pele em risco.

Duas pessoas com o mesmo produto, o mesmo conteúdo, a mesma IA. Uma coloca na frente de 10 mil pessoas certas no momento certo. A outra posta e reza. A primeira vende. A segunda reclama que o mercado está saturado. O produto era igual. A distribuição não.

Existem 4 formas de colocar na frente da pessoa certa. Só 4. Contato quente, conteúdo, contato frio, e anúncio pago. Toda empresa do mundo usa alguma combinação dessas quatro. Se você está usando menos de duas, esse é o gargalo. Não é a IA. Não é o produto. É que ninguém sabe que você existe.

Eu falei sobre isso na newsletter passada: código já é commodity. Distribuição, não. E cada dia que passa isso fica mais verdade.

Quando todo mundo cria igual com a mesma IA, a criação vira commodity. O que separa é quem distribui pra mais gente, mais rápido, no canal certo. Colocar na frente da pessoa certa, no momento certo, com a mensagem que faz ela agir? Isso não é automação. Isso é decisão em cima de decisão em cima de decisão. E cada decisão errada custa alcance, custa venda, custa tempo que não volta.

Volume de criação sem distribuição é estoque. E estoque parado é prejuízo.

E isso não é tendência pra 2027. Está acontecendo agora. Quem está distribuindo hoje está construindo audiência que quem começar amanhã não alcança. Distribuição acumula. Cada dia sem distribuir é um dia que seu concorrente está na frente.

E quando qualquer pessoa pode gerar qualquer produto, qualquer conteúdo, qualquer solução, o que sobra de escasso? Atenção humana e confiança acumulada.

Marcas pessoais, comunidades com histórico e reputação verificável se tornam os ativos mais valiosos do mercado. O gargalo final não é técnico. Nunca foi.

O que vai fazer a diferenciação é a pessoa que está atrás do teclado. A pessoa que sabe o que criar, tem coragem de arriscar, e domina como colocar aquilo no mundo.

Criatividade. Pele em risco. Distribuição. Esse é o tripé.

Tira qualquer um dos três e o resto não se sustenta. Criatividade sem distribuição é arte no porão. Distribuição sem pele em risco é spam. Pele em risco sem criatividade é trabalho braçal com medo.

A maioria investe 90% do tempo criando e 10% distribuindo. Quem inverte essa proporção ganha. Quem não inverte, cria conteúdo que ninguém vê.

Todo mundo está virando PM

Todo mundo está feliz com IA. Ninguém quer voltar. Mas a felicidade está escondendo uma coisa: se a execução ficou igual pra todo mundo, a vantagem agora é de quem decide melhor.

O moat não é mais ter o programador mais inteligente. É ter o melhor sistema de humanos + agentes + dados proprietários operando juntos. 

A guerra não é por talentos. É por arquitetos de sistemas híbridos. Quem ainda está brigando pra contratar dev sênior está jogando o jogo errado.

Mas Alan, o que é PM? Product Manager. A pessoa que numa empresa de tecnologia decide o que vai ser construído, em que ordem, e responde pelo resultado. Não escreve código. Não faz design. Decide o que o time inteiro vai fazer.

Pensa assim. Você tem um time de agentes que executa qualquer coisa que você pedir. Cria landing page, escreve email, gera código, monta apresentação.

A execução ficou barata. O que ficou caro foi a decisão. Decidir o que construir, em que ordem, pra quem distribuir, e o que fazer quando o resultado não é o esperado.

E decisão errada com IA é diferente de decisão errada sem IA. Sem IA você erra devagar e percebe antes do estrago. Com IA você erra na velocidade da luz. Escala o erro. Distribui o erro. Automatiza o erro. Errar rápido é bom quando você tem processo pra detectar o erro. Sem processo, você não erra rápido. Você escala rápido o erro errado.

Esse papel existe pra quem está colocando em prática. Não importa se você é dev, designer, marketeiro ou dono de negócio. Se você está usando IA pra produzir e distribuir, você precisa ser o PM da operação. Quem não está fazendo isso, não é nada.

Pensa no dono de restaurante que tem 10 cozinheiros mas nenhum cardápio. Todo mundo cozinhando rápido. Ninguém sabe o que deveria estar no prato. O problema não é a cozinha. É que ninguém decidiu o que servir.

Tenta um exercício. Pega algo que você faz bem, algo que é óbvio pra você, e escreve um passo a passo pra outra pessoa fazer igual. Sem apontar pra tela. Sem dizer "aquele botão ali". Só texto.

A maioria trava. Não porque não sabe fazer. Porque nunca precisou transformar o que sabe em instrução clara. O conhecimento estava no corpo, no instinto, no "eu sei quando vejo". Funcionava quando você era o executor.

Mas agora o executor é a IA. E ela não lê intenção. Lê instrução. Se a instrução é vaga, o resultado é vago. Se a instrução é precisa, o resultado é preciso.

Quem consegue transformar o que sabe em processo claro tem uma vantagem que a maioria não tem. Não porque é mais inteligente. Porque desenvolveu uma habilidade que nunca tinha sido necessária antes: explicitar o óbvio.

O Pedro Valério colocou de um jeito que ficou na minha cabeça: time tático cria regras de todos os executores. Isso é difícil de passar bastão, fácil de reter.

Quem consegue orquestrar a IA que tende ao caos é quem vai ter valor.

E o valor não é abstrato. É dinheiro. Quem decide o que construir decide onde o caixa vai. Produto errado com execução perfeita é prejuízo perfeito. Produto certo com execução medíocre ainda vende. A decisão vale mais do que a execução. Sempre valeu. A IA só tornou isso impossível de ignorar.

Eu estou calibrando uma árvore de decisão nessas semanas de aula fechada. Funciona assim.

Aquilo que você precisa fazer requer criatividade? Se não requer, é determinístico, vira script. Roda sozinho, sem supervisão. Precisa de julgamento humano? Aí entra clone ou agente com supervisão. Tem impacto financeiro ou jurídico na decisão? Só humano toca.

O ponto não é complexidade. É responsabilidade.

Interfaces vão mudar. Ferramentas vão se adaptar a você. O que não muda é que alguém precisa estar no centro da decisão, com pele em risco.

Alguém que perde dinheiro se errar, que perde o cliente se o output for lixo, que perde o sono se a estratégia falhar.

Quem está aprendendo a orquestrar enquanto faz está construindo exatamente esse músculo. Não o músculo de executar. O músculo de decidir no caos.

R$86 mil em uma hora

R$86 mil em débito técnico escondido. Encontrados em menos de uma hora num SaaS que parecia estar funcionando perfeitamente.

O Torriani, que tem um SaaS de gestão, participou da imersão. Escolhi o projeto dele pra migrar de Lovable pra Claude Code com AIOS.

Durante a execução dos workflows de verificação, o AIOS expôs o que nenhuma ferramenta tinha mostrado antes. Não era bug. Era estrutura.

O Lovable não foi feito pra escalar, e os gaps que ele cria são invisíveis até você ter um processo que os expõe.

A IA gera. O processo verifica. Sem processo, você está pilotando sem instrumento.

Não sou só eu dizendo isso. Quem está usando na prática diz melhor:

Esses são alunos reais, no meio da operação. Não são teóricos. São pessoas com pele em risco.

E o Lovable não é exceção. Qualquer ferramenta de IA que gera código, conteúdo ou produto sem um processo de verificação por trás vai criar os mesmos gaps. A diferença é que sem processo, você só descobre quando o cliente reclama. Ou quando o sistema cai.

Tudo isso que falei nessa newsletter. Processo. Decisão. Orquestração. Pele em risco. Não é teoria. É o que a gente ensina na prática.

O José Amorim abriu a Turma 3 do Cohort Fundamentals.

A Turma 1 esgotou no mesmo dia. A Turma 2 esgotou em dois dias. Abriu a terceira porque não paravam de pedir. Restam 20 vagas.

Em 4 semanas, ao vivo, o José te leva do zero até ter seu primeiro time de agentes funcionando 24/7. Sem precisar saber programar. Sem precisar escrever uma linha de código. Ele ensina passo a passo, do zero, em português.

Você aprende a configurar, criar agentes, e pensar como orquestrador. O método foi desenhado pra quem nunca programou. Você comanda agentes como um CEO comanda funcionários. Com instruções claras, não com código.

E todo valor investido volta como cupom pra usar em qualquer produto da Academia Lendária, incluindo o Cohort Avançado. Garantia incondicional de 7 dias. 100% do dinheiro de volta, sem perguntas.

Se você leu essa newsletter inteira e sentiu que precisa de processo, de decisão melhor, de orquestração real. É isso.

Não espera. As duas turmas anteriores provaram que essas vagas não duram.

Alan Nicolas ♾️
CEO, Academia Lendár[IA]

P.S. Isso está sendo ensinado e evoluído em tempo real no Cohort Avançado. A cada semana tem algo novo. O que a gente faz no Fundamentals é a base. O que vem depois é outro nível.

No final dessa newsletter deixei as duas lives onde mostro como utilizo o AIOS na prática. Pra você não se sentir completamente perdido. Ou pelo menos menos perdido.

P.P.S. 

Ninguém está falando sobre isso.

Hoje meu filho faz 2 anos. E me peguei pensando…

As crianças que nascem hoje jamais conhecerão um mundo sem inteligência artificial autônoma.

Elas não vão pesquisar no Google. Vão perguntar a um agente.

Elas não vão aprender a programar. Vão aprender a orquestrar.

Elas não vão elaborar currículos. Pode ser que não existam vagas pra elaborar currículo.

Estamos criando a primeira geração de seres humanos que vai crescer ao lado de mentes que não são humanas.

E estamos fazendo isso com um manual de 1990.

A habilidade mais importante que você pode ensinar pro seu filho agora não é matemática.

Não é programação. Não é inglês.

É pensar. Discernir. Questionar.

É manter a humanidade quando tudo ao redor parece não ser mais humano.

📚️ Livros Recomendados:

  • Antifrágil - Nassim Nicholas Taleb: O conceito de pele em risco aparece aqui e provou que sistemas que não expõem seus operadores a consequências reais são destinados a colapsar. Se você delega decisões pra quem não perde nada quando erra, o sistema está condenado.

  • A Negação da Morte - Ernest Becker: Becker ganhou o Pulitzer mostrando que toda motivação humana nasce da consciência da própria mortalidade. Quem entende isso para de otimizar métricas vazias e começa a construir coisas que importam de verdade.

  • A Guerra Da Arte - Steven Pressfield: Pressfield deu nome à força que impede você de criar: Resistência. Não é falta de talento. Não é falta de ferramenta. É uma força interna que sabota todo ato criativo antes dele acontecer. Se você tem acesso à melhor IA do mundo e mesmo assim não produz nada, o problema não é a IA.

💻 Vídeo Recomendado

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  • Escrita por: Alan Nicolas utilizando Obsidian potencializado com IA

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