Responde rápido, sem pensar: o que você faz?

Guarda essa resposta. Aposto que ela começou com um verbo de fazer. Eu escrevo, eu programo, eu projeto, eu atendo, eu opero, eu vendo.

Agora repara numa coisa que você nunca reparou. Quando alguém te pergunta o que você faz, você descreve execução, nunca julgamento.

Ninguém responde essa pergunta com "eu decido". Ninguém diz "eu escolho o que merece ser feito e o que não merece".

A gente responde com a parte da profissão que dá pra mostrar. A que aparece na tela, na entrega, no crachá.

Faz cinco semanas que eu venho mostrando por aqui o que a IA está fazendo com o trabalho. Hoje eu quero falar do que ela está fazendo com essa tua resposta.

Porque a parte que você acabou de descrever, a parte visível, é exatamente a que está mudando de mão. E se isso te incomoda mais do que deveria, tem um motivo. Ele não é técnico.

É sobre esse motivo que eu quero falar. E no fim tem uma coisa concreta pra você fazer hoje, antes das 19h.

Você não é a sua profissão, você está nela

Tem um episódio do Vida Lendária em que eu conto que ninguém me reconheceria numa foto antiga minha.

Camiseta com estampa gigante de marca, calça jeans cheia de bolso, cinto XXL, tênis de skatista, munhequeira. Aquilo era eu. Eu defenderia aquelas roupas numa discussão.

Tive grupos de amigos que eu adorava e que, um dia, os assuntos simplesmente pararam de fazer sentido. Ninguém brigou. A versão de mim que pertencia ali morreu, e eu demorei pra perceber.

Nesse mesmo episódio eu digo uma frase que incomoda todo mundo na mesma proporção: você não é gordo. Você está gordo.

Troca a palavra e ela continua funcionando. Não sou ansioso, estou ansioso. Não sou indisciplinado, estou indisciplinado.

Agora o teste de dez segundos. Pega a resposta que você me deu lá em cima e força o verbo. Vou usar advogado como exemplo, troca pela tua profissão: eu não SOU advogado, eu ESTOU advogado.

Soa errado, né? É de propósito. A frase machuca o ouvido porque o idioma inteiro conspira pra você acreditar que profissão é essência, e não estado.

Só que você é um fluxo. De átomos, de pensamentos, de rótulos. Os três trocam o tempo todo, e você continua aí.

A identidade profissional é só o rótulo mais caro do fluxo. É o que você assina embaixo, o que responde por você no jantar de família, o que preenche o campo "profissão" em cadastro de hotel.

Eu já disse por aqui uma vez que você não é o modelo que usa. Hoje eu desço um andar: você não é nem a profissão.

E aqui está o ponto desta semana: a máquina não aprendeu a sua profissão inteira. Ela aprendeu a parte da sua profissão que você mostrava.

Por que justamente essa? Essa pergunta tem resposta, e a resposta tem número.

Índice de IAtização: o que a máquina aprende primeiro na sua profissão

Semana passada eu mostrei por aqui um número do profissoes.org.br, o mapa que eu construí. O índice de IAtização mede, de 0 a 100, quanto das atividades de uma profissão a IA já executa sozinha.

Copywriter, profissão criativa por definição: 71,43. Médico: 36,6. O criativo quase o dobro do médico. (Se você não viu essa edição, ela fica linkada no fim, no bloco de materiais.)

Na semana passada eu parei no número. Hoje eu quero o porquê, porque o porquê muda a conclusão inteira.

A leitura que quase todo mundo faz: "então a IA é boa em criatividade". Leitura errada.

A IA não aprendeu criatividade. Ela aprendeu padrão.

Criatividade de verdade é juntar coisas diferentes até virar algo novo. Essa junção continua humana, e quem aponta a direção dela continua sendo você.

A máquina aprendeu essas atividades primeiro porque elas têm padrão, não porque são chatas.

Texto tem estrutura que se repete. Título, promessa, prova, fechamento. Milhões de exemplos publicados, cada um com a mesma espinha e cara diferente. Pra quem aprende por repetição, isso é um banquete.

O médico pontua baixo não porque pensa mais que o copywriter. É porque muito do trabalho dele acontece com a mão em outra pessoa: exame físico, parto, urgência, e nessas atividades o índice marca zero.

Presença não vira arquivo. E o que não vira arquivo, a máquina não tem de onde aprender.

E olha que estão tentando. A IA aprendeu até aqui lendo texto, o texto do mundo começou a acabar, e agora o jogo é capturar vivência: filmar gente trabalhando, treinar robô em tarefa manual.

Essa semana eu passei um bom tempo no meu feed entre impressionado e rindo alto com uma olimpíada de robôs. Tem robô disputando corrida em raia de atletismo. Do jeito dele, mas disputando.

Então presença é o pedaço mais teu do teu trabalho hoje, e é exatamente por isso que merece decisão consciente, não piloto automático.

Então joga fora a régua "criativo ou técnico", porque ela não explica nada. A régua que explica é outra: quanto do seu trabalho se repete com cara diferente?

Se você respondeu a pergunta da abertura com um verbo de execução, a resposta honesta é: mais do que você gostaria.

Você pode estar pensando: "a minha parte criativa me protege". Protege a parte que inventa, a junção que só você faz. O que o índice pegou foi a outra: a produção criativa que virou fôrma. E fôrma é padrão com roupa de festa.

O desconforto que isso dá tem utilidade, mas só por uns minutos. Refletir sem ação é masturbação mental.

Então a próxima seção não é ideia. É instrução.

Os quatro verbos da IAtização: ampliar, amenizar, automatizar, preservar

Deixa eu abrir as minhas últimas semanas, porque é mais honesto do que te dar teoria.

Tem um paper que eu escrevo com um parceiro de pesquisa, um negócio sobre a mente. Antes de fechar a versão cinco, eu botei a IA pra revisar o texto por ângulos que eu sozinho não enxergaria.

Meu e-mail, quem gerencia é uma IA. Ela lê tudo, dispara o que tem que sair e me avisa do que importa três vezes por dia: às 8, ao meio-dia e às 18.

Minha cabeça pensa em mil coisas ao mesmo tempo, então o que eu esqueceria, eu terceirizei: ela me cutuca no WhatsApp, cuida do meu segundo cérebro, lembra o que eu ia esquecer.

E a preparação do que acontece hoje à noite? Essa ninguém toca. Eu passei os últimos dias nos ajustes finos do Desafio, e não delego porque eu quero que seja eu. Se você aparece pra ter uma direção, que graça tem a direção vir de qualquer outra coisa?

Agora repara no que esses quatro parágrafos têm em comum, porque eu não te contei quatro historinhas soltas.

No paper, eu ampliei uma força. No e-mail, eu automatizei uma repetição. Na memória, eu amenizei uma fraqueza. Na preparação, eu preservei o que é meu.

Ampliar, amenizar, automatizar, preservar. IAtizar é decidir qual desses quatro verbos vai em cada pedaço do seu trabalho.

Quem pula essa decisão entrega a profissão inteira pro verbo errado. E o preço disso aparece numa régua que eu te mostro daqui a pouco.

Agora é a tua vez. O exercício chama subtração, leva uns 20 minutos, e é a preparação exata pro que acontece hoje à noite.

Movimento um: abre a lista de atividades da tua profissão. Não tem uma? O mapa que eu deixo linkado lá no fim tem a tua profissão aberta, atividade por atividade.

Movimento dois: marca cada atividade com um dos quatro verbos. Sem filosofar. Dez segundos por linha, primeira intuição, ninguém vai auditar.

Movimento três: olha só pra coluna do preservar.

Ela é curta. Se te consola, a minha também é: dessa minha lista toda, o que fica só comigo é o que eu entrego ao vivo e o cuidado com o material de quem estuda comigo.

Aquela coluna magra é a resposta de verdade pra pergunta lá do começo. O resto tem padrão, e padrão é trabalho que os outros três verbos distribuem.

A IA não vai fazer musculação por você. Mas olha a minha lista de novo: o que você marcou de automatizar é parente do meu e-mail, e o e-mail ela já carrega sozinha hoje.

Só que o exercício revela um problema que ele não resolve: largar dói. E dói num lugar que planilha não alcança.

A parábola da jangada: por que dói largar a execução

Imagina que você passou meses preso numa ilha pequena. Juntou tábua, cortou cipó, amarrou tudo com as próprias mãos. Construiu uma jangada.

Ela te atravessa o mar. Você chega na ilha grande, a que tem tudo que a pequena não tinha.

E aí você descobre o detalhe que ninguém te contou na praia de partida: jangada não sobe ilha. Ela é pesada demais pra arrastar pela areia.

Sobram duas opções. Ficar na beira, do lado dela, tomando conta do que te trouxe. Ou largar, e ir ver a ilha que você suou pra alcançar.

Dito assim, parece escolha óbvia. Então por que tanta gente mora na beira da praia?

Porque a jangada não é um objeto. A jangada é a tua capacidade de executar.

É a velocidade no teclado. O domínio da ferramenta. Os mil casos resolvidos, a fama de ser a pessoa mais rápida da sala, o orgulho de entregar antes do prazo.

Foi ela que pagou as tuas contas. Foi ela que te deu nome. Cada tábua tem o teu suor, e você lembra de quanto custou cada uma.

E agora um exercício de vinte minutos te mostrou, com a frieza de uma lista, que boa parte dela vai ficar na areia.

Volta um instante no começo, no você está, você não é. Você não é a jangada. Você está com ela.

O que atravessou o mar não foi a madeira. Foi você. A madeira foi o meio, e meio que já cumpriu a função vira peso.

Ninguém larga a jangada porque ela era ruim. Larga porque ela já fez o que tinha que fazer.

Mas fica a pergunta que a praia não responde: largando a jangada, o que exatamente você faz na ilha?

Existe uma resposta, e eu venho circulando ela por aqui há semanas: execução ficou barata, decisão ficou cara. Na ilha, o trabalho é escolher. E escolher tem régua.

ETCAR: a grandeza que ninguém mede ao delegar pra IA

Na live do dia 20 eu apresentei o Protocolo ETCAR. O nome é um mnemônico bobo de propósito, pensa num ET dentro de um carro, e a função é séria: decidir se uma tarefa fica com você ou vai pra máquina.

O protocolo decide dentro de uma tarefa. Hoje eu tô te mostrando o andar de cima: decidir entre as tarefas, na profissão inteira.

A subtração te deu a lista. A régua que evita o chute é a mesma do ETCAR, e ela mede quatro grandezas.

Quanto custou. Quanto tempo levou. Que qualidade saiu. E quantas vezes você teve que mandar de volta.

As três primeiras, todo mundo jura que mede. A quarta, quase ninguém mede. E é a quarta que decide.

Porque uma entrega barata e rápida que você devolveu cinco vezes custou cinco conversas tuas. O teu tempo voltou pro balcão pela porta dos fundos, e a planilha não registrou.

Na minha mesa, essa régua virou uma imagem que sempre volta por aqui: os talheres. O garfo, que eu uso o tempo todo, pro grosso do dia; a faca, pro trabalho que exige pensar mais fundo; a colher, pra ocasião especial, a sopa, a sobremesa.

Meu filho tem uma colherinha de plástico três em um. Vai desdobrando e ela vira garfinho, vira faquinha. Serve pra tudo, do jeito que só criança aceita.

É assim que a maioria dos adultos usa IA hoje: uma conta só, pra toda e qualquer tarefa, e depois reclama do resultado do garfinho de plástico.

E tem um teste rápido pra saber se você casou com o garfinho: se o conhecimento da sua empresa desaparece quando você troca de IA, esse conhecimento nunca pertenceu à empresa.

Eu levo essa mesa a sério a ponto de rodar quatro contas do mesmo provedor ao mesmo tempo, só pro talher de todo dia nunca ter fila. E faz uns três meses, se a memória não me trai, que eu não estouro limite nenhum.

Na mesma live eu mostrei o que a régua flagra na grandeza do tempo: dez vídeos pesados convertidos pra um formato leve em uns dois minutos pela ferramenta certa. A errada levaria uns trinta.

Mesma tarefa, mesmo resultado final, e uma diferença de tempo que não aparece pra quem mede só o preço do token.

Custo, tempo, qualidade, interações. Roda essa régua nas atividades que a subtração marcou com o verbo automatizar, e o chute vira decisão.

E repara no que foi acontecendo com o teu dia enquanto isso: escolher a ferramenta pela grandeza certa, devolver o que saiu torto, defender o que nunca entra na esteira.

Ninguém te ensinou essa parte. Nem podia. Ela não existia quando você aprendeu a profissão.

Porque quando inteligência e ferramenta ficam abundantes, o valor migra: de saber coisas pra discernir o que importa, assumir responsabilidade e construir o que só você construiria.

Falta só uma coisa, e ela não é técnica.

Agradece, e larga na praia: a versão sua que está morrendo

Cinco dias antes de gravar aquele episódio do podcast, eu chorei.

Não foi tristeza. Foi despedida. Eu me sentei e listei os Alans que estavam morrendo: o indisciplinado, o que tinha medo de rejeição, o que gostava do anonimato, o que ainda se media pelo resultado.

Sou extremamente grato por cada Alan que morreu por mim. Cada um deles lutou pra me trazer até aqui.

Tua vez. Última instrução de hoje, trinta segundos.

Escreve o nome de uma versão tua que já morreu sem velório. O jeito que você trabalhava anos atrás. A ferramenta que você jurava que era pra sempre. O cargo que era a tua identidade inteira.

Achou uma rápido, né? Então olha o que isso prova: você já atravessou isso antes. E sobreviveu.

Agora escreve o nome da que está morrendo agora.

Porque o que está morrendo não é o seu emprego, e sim a versão sua que se definia por executar.

É a que responde "o que você faz" com o verbo que a máquina aprendeu primeiro.

Dói nomear. Dói porque foi essa versão que te trouxe até aqui, e apego por quem te carregou não é defeito. Só não é motivo pra morar na beira da praia.

A jangada não foi desperdício. Sem ela você não chegava na ilha. Agradece, e larga na praia.

Desafio IAtize-se: hoje às 19h, ao vivo, última chamada

Hoje, 28 de agosto, às 19h, começa o primeiro dia do Desafio IAtize-se. Amanhã, sábado, tem a segunda parte, das 9h às 11h e das 14h às 16h.

O primeiro dia se chama Repertório e Diagnóstico. É ao vivo, com a tua rotina na mesa e gente do teu lado fazendo a mesma conta que você.

E a promessa dele, na página do evento, é a mesma desta edição: sair com um diagnóstico real das tuas competências transferíveis. Em português claro, sair sabendo qual parte tua continua valendo, com nome.

Quem fez a subtração hoje chega lá com a lista pronta. Quem não fez, faz acompanhado.

O ingresso Silver do primeiro lote saiu de R$ 438,88 por R$ 38,88. Dá acesso aos dois dias completos ao vivo, área de membros, Grupo Silver, Teste de IAtização, material de acompanhamento, exercício de diagnóstico e R$ 100 de cashback.

E tem a parte que eu gosto mais que o desconto: a Garantia Blindada. Participa do primeiro dia inteiro e, se não fizer sentido pra você, devolvemos o dinheiro. Sem perguntas, sem burocracia.

Repara no desenho disso. A garantia pede uma coisa só: presença no primeiro dia inteiro. O que você arrisca é a noite de hoje. O dinheiro, quem arrisca é o evento.

A garantia depende do primeiro dia inteiro. E o primeiro dia acontece uma vez, hoje.

Entre agora e as 19h dá tempo de sobra pra rodar a subtração. E não dá pra adiar mais uma semana uma decisão de R$ 38,88.

Te vejo hoje à noite. Com a lista pronta ou sem, o exercício de diagnóstico já está dentro do ingresso.

Alan Nicolas ♾️
CEO, Academia Lendár[IA]

P.S. Amanhã alguém vai te perguntar o que você faz. Presta atenção na tua resposta: se vier o verbo de sempre, tudo bem, agora você sabe o que ele significa. Se vier um segundo de silêncio antes... esse silêncio é a resposta nova se formando.

Pra deixar na mão: mapa, protocolo e livro

O mapa da tua profissão em profissoes.org.br: atividade por atividade, com a nota de cada uma. É onde o movimento um da subtração começa se você não tem a tua lista.

O Protocolo ETCAR na Ferramenta da Semana #03: os quatro blocos prontos pra copiar, sem link nem cadastro, pra rodar na primeira tarefa que sair da tua mão.

E vale a regra que eu escrevi essa semana: IA é escada rolante pra mente, livro é caminhada. Você só consegue subir a escada rolante ao contrário se ainda tiver pernas, e pernas, só livro dá.

📚 Livros Recomendados:

O Mito De Sisifo - Albert Camus: Camus encarou o trabalho mais repetível do universo, a mesma pedra, o mesmo morro, todo dia, e saiu dele com uma conclusão que ninguém espera. Se a tua coluna do preservar ficou magra, é este livro que diz o que fazer com a pedra.

Negocios Conscientes - Fred Kofman: Quando a execução barateia, o que sobra caro é exatamente o que Kofman chama de responsabilidade incondicional: ninguém delega ser o dono da resposta. O capítulo sobre vítima versus protagonista vale o livro inteiro.

Maestria - Robert Greene: Greene passou anos dissecando por que alguns ofícios sobrevivem a qualquer ferramenta nova e outros somem com ela. A diferença não está no talento, e a página em que ele mostra onde está muda como você olha pra própria lista de atividades.

💻 Vídeo Recomendado

Assista a minha ultima live:

🗞 Sobre a Newsletter:

  • Descubra como sobreviver e prosperar na Era da IA ♾️

  • Escrita por: Alan Nicolas utilizando Obsidian potencializado com IA

  • Mantenha-se atualizado: Últimas tendências e desenvolvimentos em IA

📲 Redes Sociais

Para mais conteúdos lendários sobre Inteligência Artificial e Business, aproveite para me seguir nas redes sociais:

Como você avalia a edição de hoje?

Login or Subscribe to participate

Continue lendo

View more
caret-right